UMA BRASILEIRA DIGNA DO MÉRITO DESSA NACIONALIDADE.
AH, SE TODOS FOSSEM IGUAIS A SENHORA DONA DIRCE PEREIRA DA SILVA, QUE MARAVILHA VIVER.
Carta enviada ao dep. Jean Wyllys.
Excelentíssimo Sr. Deputado Dr. Jean Wyllys de Matos Santos,
Meu nome é Dirce Pereira da Silva e, atualmente, conto com 77 (setenta e
sete) anos de idade, caminhando para o 78º aniversário. Tal como Vossa
Excelência, tive uma trajetória difícil e cansativa na busca por meus
direitos civis.
Sou negra, filha de um servente de pedreiro e uma lavadeira. Meu avô paterno era escravo alforriado. Nasci e cresci em meio à miséria no interior do Estado de São Paulo, valendo-me de farinha e verduras que minha mãe encontrava no caminho para alimentar-me. Graças a ela, que sempre foi analfabeta, convencemos meu
pai a mudar-se para a pequena cidade de Penápolis-SP, a fim de que eu pudesse estudar as primeiras séries e o ginasial (denominação dada à época). Os materiais eram todos muito caros e, por isso, desde meus oito anos de idade trabalhava como lavadeira em conjunto com minha mãe para aumentarmos nossos rendimentos. Papai fez muitas dívidas nessa época também para que eu pudesse estudar.
Quando chegou o momento de optar, escolhi cursar a Escola Normal, já que não havia Faculdades por perto e nem haveria condições de manter-me fora. Formei-me normalista em dezembro de 1954, para orgulho de meus pais.
O caminho, Excelência, não foi fácil. Minhas colegas de Escola podiam ir às matinês ou às festas em que iam as pessoas de minha idade, mas eu era barrada
na porta por ser negra. Sempre minha presença foi proibida nos locais
destinados às pessoas brancas. Isto não impediu que eu conhecesse um
rapaz branco, hoje já falecido, que se apaixonasse por mim e fosse
correspondido. Ele pediu minha mão em casamento a meu pai, como era
próprio da época. Meu pai aceitou, mas alertou a mim, ainda muito jovem,
sobre a possível rejeição por parte da família dele. Infelizmente,
papai estava certo: os pais dele (em especial a mãe) rejeitou-me, e me
chamou de crioula safada, dentre outros adjetivos. Esse amor nunca teve
um beijo ou outra coisa qualquer além de belíssimas declarações, mas foi
forte o suficiente para permanecer intacto em minha memória nestes
quase sessenta anos. Até hoje, quando visito seu túmulo, penso em tudo o
que poderíamos ser e não fomos.
Tornei-me professora em 1955, aposentando-me apenas no ano de 2004, às vésperas de completar 70 anos de idade. Fui homenageada pelo Governo do Estado de São Paulo como a professora que por mais tempo permaneceu em sala de aula: sem faltas, sem licenças, sem atrasos, sem nada. No mesmo ano em que comecei a lecionar, “adotei” uma menina, filha extemporânea de meus vizinhos sexagenários, que era branca e de olhos claros como Arthur, o homem por quem me apaixonei. Ela cresceu, tornou-se também professora e me deu
dois netos e um bisneto, razões maiores da minha vida. Ela e meus netos
foram, também, fonte de inúmeras alegrias a meus pais, falecidos no
final da década de 90.
Com esta pequena história, Excelência, desejo ilustrar minha passagem pelo mundo – ciente de que tenho muito mais passado que futuro – para agradecer-lhe e parabenizar seu trabalho.
Na década de 1.950 discriminar uma pessoa negra era algo natural, tolerável e correto. Sobre homossexuais, melhor nem falar: eram considerados pervertidos, doentes, e nem mesmo estes falsos profetas lhes prometiam a chamada “cura”.
Vejo com tristeza que a discriminação em relação aos negros persiste em existir, mesmo que às escondidas, e homossexuais são espancados, tratados com barbárie ou vítimas de discursos de intolerância e preconceito, tristemente
retratados na figura (em igual) triste do Exmo. Sr. Deputado Jair Bolsonaro.
Eu fui vítima de inúmeros preconceitos na vida, Excelência. Não pude frequentar locais por conta de minha cor; depois, ingressei numa profissão de elite – o magistério – sendo mulher, negra e pobre. Fui humilhada por anos e confinada em escolas de zona rural, até que um dia, talvez por distração, consegui minha transferência para a escola central da cidade, tornando-me professora da elite de Penápolis.
Minha filha adotiva foi uma das primeiras mulheres a se divorciar na cidade, e por conta disso era chamada de indecente, imoral ou coisas piores. Perdeu seu emprego por conta disso e meu neto mais velho teve sua matrícula recusada em uma Escola pública, justamente por ser filho de uma mãe divorciada. Hoje ele é Professor concursado na Universidade Federal de Uberlândia. O destino às vezes dá voltas.
Quando vejo o preconceito em relação às pessoas de orientação homossexual,
sinto-me de novo em 1954 e nos anos anteriores. Eles não têm o direito
de amar, como eu não tive. Eles não têm o direito de se casar, como eu
também não tive. São considerados pessoas anormais e pervertidas, da
mesma forma como fui chamada de “crioula safada”: são rotulados sem que
ninguém os conheça, e eu sei qual o tamanho desta dor. Para minha sorte,
tive pais analfabetos e pobres, mas maravilhosos. E os homossexuais,
que muitas vezes têm de enfrentar o preconceito dentro da própria
família, para além daquele que existe na sociedade?
Quem lhe fala, Excelência, é uma mulher que tem idade para ser sua avó. Meu
desejo, a essa altura da vida – já são quase 80 anos – é que pessoas
como Vossa Excelência persistam em lutar contra o preconceito e qualquer
forma de discriminação e opressão neste país. Como ninguém me
sentenciou à morte ainda tenho o direito de sonhar, e meu sonho é o de
ver uma sociedade verdadeiramente livre, em que cada um possa expressar
livremente sua cultura, seu jeito, seus traços africanos ou seu amor,
seja ele de qual orientação for. Envio meu apoio ao Projeto de Emenda
Constitucional para a viabilidade do casamento de pessoas do mesmo sexo,
a fim de que elas tenham o direito que me foi negado: casar-me com quem
eu amava e que também me amava em virtude do preconceito de terceiros!
Para a verdadeira democracia, prossiga na sua luta pelas pessoas deste país, meu jovem Deputado.
Com admiração,
Dirce Pereira da Silva
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-historia-da-%E2%80%9Ccrioula-safada%E2%80%9D/
Essa Barca simboliza o veículo dos Buscadores da Luz e da Sabedoria, através do estudo, evolução mental-espiritual, reformas íntimas, que requerem trabalho e esforço. Avalon, esse reino perfeito de amor e beleza, continua sendo a busca constante de todo o ser humano que, apesar de todas as desilusões, ainda tem a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, um lugar melhor para se viver. Bençãos a todos que entrarem nesta sagrada Barca!
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Investir em Educação é contra a lei .
É lamentavel , mas infelizmente é verdade...
São Leopoldo tem um dos menores índices de analfabetismo e de mendicância do país, talvez por causa de homens como este!
EMPRESÁRIO DE SÃO LEOPOLDO
Silvino Geremia é empresário em São Leopoldo, Estado do Rio Grande do Sul.
Eis o seu desabafo, publicado na revista EXAME:
"Acabo de descobrir mais um desses absurdos que só servem para atrasar a vida das pessoas que tocam e fazem este país: investir em Educação é contra a lei .
Vocês não acreditam?
Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa.
Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá.
Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo.
Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredor ou um técnico.
Este ano, um fiscal do INSS visitou a nossa empresa e entendeu que Educação é Salário Indireto.
Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino freqüentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS.
Tenho que pagar 26 mil reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários?
Eu honestamente acho que não.
Por isso recorri à Justiça.
Não é pelo valor em si , é porque acho essa tributação um atentado.
Estou revoltado.
Vou continuar não recolhendo um centavo ao INSS, mesmo que eu seja multado 1000 vezes.
O Estado brasileiro está completamente falido.
Mais da metade das crianças que iniciam a 1ª série não conclui o ciclo básico.
A Constituição diz que educação é direito do cidadão e um dever do Estado.
E quem é o Estado?
Somos todos nós.
Se a União não tem recursos e eu tenho, acho que devo pagar a escola dos meus funcionários.
Tudo bem, não estou cobrando nada do Estado.
Mas também não aceito que o Estado me penalize por fazer o que ele não faz.
Se essa moda pega, empresas que proporcionam cada vez mais benefícios vão recuar..
Não temos mais tempo a perder.
As leis retrógradas, ultrapassadas e em total descompasso com a realidade devem ser revogadas.
A legislação e a mentalidade dos nossos homens públicos devem adequar-se aos novos tempos.
Por favor, deixem quem está fazendo alguma coisa trabalhar em paz.
E vão cobrar de quem desvia dinheiro, de quem sonega impostos, de quem rouba a Previdência, de quem contrata mão-de-obra fria, sem registro algum.
Eu Sou filho de família pobre, de pequenos agricultores, e não tive muito estudo.
Somente consequi completar o 1º grau aos 22 anos e, com dinheiro ganho no meu primeiro emprego, numa indústria de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, paguei uma escola técnica de eletromecânica.
Cheguei a fazer vestibular e entrar na faculdade, mas nunca terminei o curso de Engenharia Mecânica por falta de tempo.
Eu precisava fazer minha empresa crescer.
Até hoje me emociono quando vejo alguém se formar.
Quis fazer com meus empregados o que gostaria que tivessem feito comigo.
A cada ano cresce o valor que invisto em educação porque muitos funcionários já estão chegando à Universidade.
O fiscal do INSS acredita que estou sujeito a ações judiciais.
Segundo ele, algum empregado que não receba os valores para educação poderá reclamar uma equiparação salarial com o colega que recebe.
Nunca, desde que existe o programa, um funcionário meu entrou na Justiça.
Todos sabem que estudar é uma opção daqueles que têm vontade de crescer...
E quem tem esse sonho pode realizá-lo porque a empresa oferece essa oportunidade.
O empregado pode estudar o que quiser, mesmo que seja Filosofia, que não teria qualquer aproveitamento prático na nossa Empresa Geremia.
No mínimo, ele trabalhará mais feliz.
Meu sonho de consumo sempre foi uma Mercedes-Benz.
Adiei sua realização várias vezes porque, como cidadão consciente do meu dever social, quis usar meu dinheiro para fazer alguma coisa pelos meus 280 empregados.
Com os valores que gastei no ano passado na educação deles, eu poderia ter comprado Duas Mercedes.
Teria mandado dinheiro para fora do País e não estaria me incomodando com essas leis absurdas .
Mas infelizmente não consigo fazer isso.
Eu sou um teimoso.
No momento em que o modelo de Estado que faz tudo está sendo questionado, cabe uma outra pergunta.
Quem vai fazer no seu lugar?
Até agora, tem sido a iniciativa privada.
Não conheço, felizmente, muitas empresas que tenham recebido o mesmo tratamento que a Geremia recebeu da Previdência por fazer o que é dever do Estado.
As que foram punidas preferiram se calar e, simplesmente, abandonar seus programas educacionais.
Com esse alerta temo desestimular os que ainda não pagam os estudos de seus funcionários.
Não é o meu objetivo.
Eu, pelo menos, continuarei ousando ser empresário, a despeito de eventuais crises, e não vou parar de investir no meu patrimônio mais precioso:
as pessoas.
Eu sou mesmo teimoso!...
Não tem jeito...
"No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes.
Na educação é o 85º e ninguém reclama..."
Na educação é o 85º e ninguém reclama..."
EU APOIO ESTA TROCA
TROQUE 01 PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES
O salário de 344 professores que ensinam = ao de 1 parlamentar que rouba
Essa é uma campanha que vale a pena!
Repasso com solidária revolta!
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Repasso com solidária revolta!
sexta-feira, 20 de maio de 2011
No que eu acredito: uma ética de esquerda
11/5/2011
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43130
“Seguem algumas lições que aprendi com meus mestres. Converti-me naquilo que Camus chamaria de um ‘reformista radical’. Pratico o que Michel Foucault denominaria de uma ‘moral da incomodidade’. Albergo a ambição de alcançar uma “felicidade sem obrigação de transcendência”, como acredito que Espinosa poderia ter dito. Trata-se simplesmente de uma ética de esquerda”, escreve Jean Daniel, em artigo publicado no El País, 06-05-2011.
A tradução é do Cepat.
Jean Daniel é jornalista e um dos fundadores da revista francesa Le Nouvel Observateur.
Eis o artigo.
Seguem algumas lições que aprendi com meus mestres.
Converti-me naquilo que Camus chamaria de um “reformista radical”.
Pratico o que Michel Foucault denominaria de uma “moral da incomodidade”.
Albergo a ambição de alcançar uma “felicidade sem obrigação de transcendência”, como acredito que Espinosa poderia ter dito.
Trata-se simplesmente de uma ética de esquerda.
1. Já não quero mudar o mundo; quero reformá-lo.
De fato, creio que o mundo muda por si mesmo muito mais rapidamente do que nosso desejo de mudá-lo. Mas se quero ser reformista não é apenas porque tenha renunciado à revolução, mas porque creio nos progressos, e quero destacar que escrevi esta última palavra no plural.
É evidente que já não se pode acreditar no progresso no sentido em que o faziam Condorcet, Marx ou Augusto Comte. Mas antes que uma águia lhe devorasse o fígado, Prometeu conseguiu roubar certos segredos de Zeus; e entre eles havia alguns que tornaram possível que a humanidade desse um enorme salto rumo ao conhecimento. A reforma consiste em fazer desaparecer aqueles segredos que resultaram ser maléficos.
2. O século passado nos deveria ter levado a desconfiar de todas as revoluções, a compreender todas as resistências e abraçar o espírito reformista. Na condição de que essa conversão se leve a cabo com um radicalismo que impede que os compromissos se convertam em arranjos.
O “reformismo radical” exclui qualquer relativismo desencantado. Mendes-France dizia que a tensão reformadora deve inocular constantemente pateticismo na virtude. A democracia dever ser uma paixão.
3. A explosão dos dogmas e das ideologias deveria nos condenar à humildade e a um verdadeiro culto da complexidade.
À margem das justas políticas e dos divertimentos das polêmicas, o peremptório já não é suportável. No que me diz respeito, decidi interessar-me sempre pelas razões daqueles que estão em desacordo comigo.
Neste terreno, meu mestre é Raimundo Lulio, um monge de Mallorca do século XIII que convidava os ímpios a não escolher entre os três monoteísmos, mas formar sua própria síntese pessoal.
4. A sabedoria consiste agora em nunca separar os conceitos de liberdade e igualdade.
A primeira sem a segunda conduz à selva das competições.
A igualdade sem liberdade leva à uniformidade e à tirania.
Tampouco se deveria separar nunca a preocupação com a criação de riquezas da preocupação com sua distribuição. O homem segue sendo a meta de toda a criação.
5. Desde esta ótica, o dinheiro só pode ser o símbolo de uma mercadoria e o instrumento que serve para fazê-la circular melhor.
Quando a especulação leva a considerar o dinheiro como um fim e não como um meio, em outras palavras, quando o capital se “financiariza”, a sociedade inteira se transforma em uma bolsa de valores que pode apenas optar entre um individualismo cínico e um latrocínio organizado.
6. Segundo Marx, a violência é provocada pela passagem de uma sociedade para outra, como ocorreu durante a transição do feudalismo para o capitalismo.
Somente neste caso considera que a violência é progressista ou, caso se queira, revolucionária. Contrariamente ao que se repete por toda parte, esta noção não é hegeliana.
Hegel elogiou a Revolução (1789), mas não o Terror (1793), no qual não viu nenhum progresso, mas o contrário: uma regressão. Não existe, pois, uma fatalidade progressiva da violência, mas o contrário. Sou partidário de uma não violência ofensiva e não sacrificial.
7. Não obstante, pode acontecer que uma guerra ao mesmo tempo “inevitável e inescusável” seja necessária por razões de autodefesa.
Mas só poderia ser declarada como último recurso, depois de descartar todas as outras soluções. Uma vez que se decidiu ir à guerra, é preciso ter em mente três reflexões:
a) “Sim, às vezes é preciso resignar-se à guerra, mas sem esquecer nunca que, apesar da equidade da causa, isso significa participar da eterna loucura dos homens” (Barack Obama);
b) “Cada vez que um oprimido toma as armas em nome da justiça, dá um passo no campo da injustiça” (Camus);
c) “A justiça, essa fugitiva que com frequência deserta do campo dos vencedores” (Simone Weil).
8. Não está no destino de uma vítima continuar sendo vítima; depois de se libertar, pode converter-se em verdugo.
Todos aqueles que aceitam responder à barbárie com a barbárie, utilizando as mesmas armas que seus inimigos e traindo assim os valores pelos quais combatem, deveriam ter presente este pensamento.
Neste caso, não há inocentes, apenas vencedores ou mortos.
Em uma época em que a fragmentação dos dogmas e os conflitos da fé conduzem aos fanatismos e na qual é cada vez mais difícil falar de valores universais, um ódio deve se impor – e a palavra não é muito forte: o ódio para com todos os absolutos.
O princípio do extermínio de um povo constitui o mal absoluto. Os sobreviventes de Auschwitz e Ruanda não devem dizer: “Nós nunca mais”, mas “isto nunca mais”.
9. Já na minha mais tenra infância aprendi a considerar a humilhação como um dos piores males da humanidade.
Mais ainda que as opressões, as ocupações e as alienações, a humilhação é o que fere mais profundamente a alma de um indivíduo ou de uma coletividade. E o que está por trás das revoluções controladas e das revoluções fanáticas.
10. Há vários meios para não sucumbir à resignação diante das desgraças da vida e da maldição dos homens.
Por exemplo, considerar que “a vida não é nada, mas nada vale mais que uma vida” (Malraux), que “não se deve buscar a Deus em nenhuma outra parte senão em todas as partes” (Gide) e que só a admiração que se transforma em amor pode nos impedir de ver a vida como “uma história contada por um idiota, cheia de ruído e de furor e que nada significa” (Shakespeare).
De qualquer modo, como disse magnificamente François Cheng, “todos os juízos, todos os cultos e todos os ritos podem desaparecer, salvo um, o da Beleza”.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43130
“Seguem algumas lições que aprendi com meus mestres. Converti-me naquilo que Camus chamaria de um ‘reformista radical’. Pratico o que Michel Foucault denominaria de uma ‘moral da incomodidade’. Albergo a ambição de alcançar uma “felicidade sem obrigação de transcendência”, como acredito que Espinosa poderia ter dito. Trata-se simplesmente de uma ética de esquerda”, escreve Jean Daniel, em artigo publicado no El País, 06-05-2011.
A tradução é do Cepat.
Jean Daniel é jornalista e um dos fundadores da revista francesa Le Nouvel Observateur.
Eis o artigo.
Seguem algumas lições que aprendi com meus mestres.
Converti-me naquilo que Camus chamaria de um “reformista radical”.
Pratico o que Michel Foucault denominaria de uma “moral da incomodidade”.
Albergo a ambição de alcançar uma “felicidade sem obrigação de transcendência”, como acredito que Espinosa poderia ter dito.
Trata-se simplesmente de uma ética de esquerda.
1. Já não quero mudar o mundo; quero reformá-lo.
De fato, creio que o mundo muda por si mesmo muito mais rapidamente do que nosso desejo de mudá-lo. Mas se quero ser reformista não é apenas porque tenha renunciado à revolução, mas porque creio nos progressos, e quero destacar que escrevi esta última palavra no plural.
É evidente que já não se pode acreditar no progresso no sentido em que o faziam Condorcet, Marx ou Augusto Comte. Mas antes que uma águia lhe devorasse o fígado, Prometeu conseguiu roubar certos segredos de Zeus; e entre eles havia alguns que tornaram possível que a humanidade desse um enorme salto rumo ao conhecimento. A reforma consiste em fazer desaparecer aqueles segredos que resultaram ser maléficos.
2. O século passado nos deveria ter levado a desconfiar de todas as revoluções, a compreender todas as resistências e abraçar o espírito reformista. Na condição de que essa conversão se leve a cabo com um radicalismo que impede que os compromissos se convertam em arranjos.
O “reformismo radical” exclui qualquer relativismo desencantado. Mendes-France dizia que a tensão reformadora deve inocular constantemente pateticismo na virtude. A democracia dever ser uma paixão.
3. A explosão dos dogmas e das ideologias deveria nos condenar à humildade e a um verdadeiro culto da complexidade.
À margem das justas políticas e dos divertimentos das polêmicas, o peremptório já não é suportável. No que me diz respeito, decidi interessar-me sempre pelas razões daqueles que estão em desacordo comigo.
Neste terreno, meu mestre é Raimundo Lulio, um monge de Mallorca do século XIII que convidava os ímpios a não escolher entre os três monoteísmos, mas formar sua própria síntese pessoal.
4. A sabedoria consiste agora em nunca separar os conceitos de liberdade e igualdade.
A primeira sem a segunda conduz à selva das competições.
A igualdade sem liberdade leva à uniformidade e à tirania.
Tampouco se deveria separar nunca a preocupação com a criação de riquezas da preocupação com sua distribuição. O homem segue sendo a meta de toda a criação.
5. Desde esta ótica, o dinheiro só pode ser o símbolo de uma mercadoria e o instrumento que serve para fazê-la circular melhor.
Quando a especulação leva a considerar o dinheiro como um fim e não como um meio, em outras palavras, quando o capital se “financiariza”, a sociedade inteira se transforma em uma bolsa de valores que pode apenas optar entre um individualismo cínico e um latrocínio organizado.
6. Segundo Marx, a violência é provocada pela passagem de uma sociedade para outra, como ocorreu durante a transição do feudalismo para o capitalismo.
Somente neste caso considera que a violência é progressista ou, caso se queira, revolucionária. Contrariamente ao que se repete por toda parte, esta noção não é hegeliana.
Hegel elogiou a Revolução (1789), mas não o Terror (1793), no qual não viu nenhum progresso, mas o contrário: uma regressão. Não existe, pois, uma fatalidade progressiva da violência, mas o contrário. Sou partidário de uma não violência ofensiva e não sacrificial.
7. Não obstante, pode acontecer que uma guerra ao mesmo tempo “inevitável e inescusável” seja necessária por razões de autodefesa.
Mas só poderia ser declarada como último recurso, depois de descartar todas as outras soluções. Uma vez que se decidiu ir à guerra, é preciso ter em mente três reflexões:
a) “Sim, às vezes é preciso resignar-se à guerra, mas sem esquecer nunca que, apesar da equidade da causa, isso significa participar da eterna loucura dos homens” (Barack Obama);
b) “Cada vez que um oprimido toma as armas em nome da justiça, dá um passo no campo da injustiça” (Camus);
c) “A justiça, essa fugitiva que com frequência deserta do campo dos vencedores” (Simone Weil).
8. Não está no destino de uma vítima continuar sendo vítima; depois de se libertar, pode converter-se em verdugo.
Todos aqueles que aceitam responder à barbárie com a barbárie, utilizando as mesmas armas que seus inimigos e traindo assim os valores pelos quais combatem, deveriam ter presente este pensamento.
Neste caso, não há inocentes, apenas vencedores ou mortos.
Em uma época em que a fragmentação dos dogmas e os conflitos da fé conduzem aos fanatismos e na qual é cada vez mais difícil falar de valores universais, um ódio deve se impor – e a palavra não é muito forte: o ódio para com todos os absolutos.
O princípio do extermínio de um povo constitui o mal absoluto. Os sobreviventes de Auschwitz e Ruanda não devem dizer: “Nós nunca mais”, mas “isto nunca mais”.
9. Já na minha mais tenra infância aprendi a considerar a humilhação como um dos piores males da humanidade.
Mais ainda que as opressões, as ocupações e as alienações, a humilhação é o que fere mais profundamente a alma de um indivíduo ou de uma coletividade. E o que está por trás das revoluções controladas e das revoluções fanáticas.
10. Há vários meios para não sucumbir à resignação diante das desgraças da vida e da maldição dos homens.
Por exemplo, considerar que “a vida não é nada, mas nada vale mais que uma vida” (Malraux), que “não se deve buscar a Deus em nenhuma outra parte senão em todas as partes” (Gide) e que só a admiração que se transforma em amor pode nos impedir de ver a vida como “uma história contada por um idiota, cheia de ruído e de furor e que nada significa” (Shakespeare).
De qualquer modo, como disse magnificamente François Cheng, “todos os juízos, todos os cultos e todos os ritos podem desaparecer, salvo um, o da Beleza”.
O que você compartilha nas redes sociais determina sua reputação
20/5/2011
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43450
O conceito "Você é o que você compartilha" já virou mantra na nova web. A questão é saber se posicionar e usar a rede com bom senso, preservando sua reputação. A afirmação é do especialista em comunicação digital Gil Giardelli, professor da Escola Superior de Propaganda, que participou do painel Redes Sociais e Inovação nesta quinta-feira, durante a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2011) realizada em Curitiba.
A reportagem é do sítio CICI2011, 19-05-2011.
"Estamos vivendo a 3ª onda do capitalismo, que é a era digital e de mídias sociais. A moeda do século XXI é a reputação, por isso, temos que estar atentos com o que publicamos e compartilhamos na rede", disse.
Segundo o especialista, a internet está passando por uma evolução. Ele estima que em 2014, 91% do conteúdo da web será em vídeo. "A cada dia que passa, temos aparelhos celulares mais modernos e com preços acessíveis. Todos podem produzir e publicar conteúdos", afirmou, destacando que hoje 1% das pessoas coloca conhecimento na internet, 4% replica e 95% aprende com as informações. "Não podemos mais competir, temos que cooperar. A tecnologia não nos afastou, mas nos conectou".
Para Giardelli, vivemos o choque entre a economia do século XIX com a do século XXI. "Vivemos a democracia das mídias sociais e da inovação coletiva. Um momento da história onde pequenos grupos significam grandes mudanças. Esta é a primeira grande revolução da humanidade: não existe mais um grande líder", observou.
Além de compartilhar informações, os internautas usam as redes sociais para fazer o bem e ajudar as pessoas. "Pesquisas mostram que interagir em redes sociais, como o twitter e o facebook, libera ocitocina, hormônio que diminui os níveis de depressão, considerada a doença do século", disse, lembrando que existem inúmeras pessoas que estão em rede para falar coisas boas.
As grandes catástrofes são prova de como as redes sociais podem fazer o bem. "Tenho uma aluna que possui parentes em Concepción, onde foi o epicentro do terremoto no Chile. Ela estava desesperada porque não conseguia notícias da família. Um grupo de jovens do Chile criou uma hashtag no twitter para procurar pessoas desaparecidas. Em 12 minutos ela recebeu um twitter falando que sua família estava bem", disse.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43450
O conceito "Você é o que você compartilha" já virou mantra na nova web. A questão é saber se posicionar e usar a rede com bom senso, preservando sua reputação. A afirmação é do especialista em comunicação digital Gil Giardelli, professor da Escola Superior de Propaganda, que participou do painel Redes Sociais e Inovação nesta quinta-feira, durante a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2011) realizada em Curitiba.
A reportagem é do sítio CICI2011, 19-05-2011.
"Estamos vivendo a 3ª onda do capitalismo, que é a era digital e de mídias sociais. A moeda do século XXI é a reputação, por isso, temos que estar atentos com o que publicamos e compartilhamos na rede", disse.
Segundo o especialista, a internet está passando por uma evolução. Ele estima que em 2014, 91% do conteúdo da web será em vídeo. "A cada dia que passa, temos aparelhos celulares mais modernos e com preços acessíveis. Todos podem produzir e publicar conteúdos", afirmou, destacando que hoje 1% das pessoas coloca conhecimento na internet, 4% replica e 95% aprende com as informações. "Não podemos mais competir, temos que cooperar. A tecnologia não nos afastou, mas nos conectou".
Para Giardelli, vivemos o choque entre a economia do século XIX com a do século XXI. "Vivemos a democracia das mídias sociais e da inovação coletiva. Um momento da história onde pequenos grupos significam grandes mudanças. Esta é a primeira grande revolução da humanidade: não existe mais um grande líder", observou.
Além de compartilhar informações, os internautas usam as redes sociais para fazer o bem e ajudar as pessoas. "Pesquisas mostram que interagir em redes sociais, como o twitter e o facebook, libera ocitocina, hormônio que diminui os níveis de depressão, considerada a doença do século", disse, lembrando que existem inúmeras pessoas que estão em rede para falar coisas boas.
As grandes catástrofes são prova de como as redes sociais podem fazer o bem. "Tenho uma aluna que possui parentes em Concepción, onde foi o epicentro do terremoto no Chile. Ela estava desesperada porque não conseguia notícias da família. Um grupo de jovens do Chile criou uma hashtag no twitter para procurar pessoas desaparecidas. Em 12 minutos ela recebeu um twitter falando que sua família estava bem", disse.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Não é problema meu?
Ninguém escapa da Lei do Retorno (Ação e Reação), por isso devemos pensar e refletir antes de decidir, pois estamos interagindo no mundo dos outros. Para chegarmos ao estado de paz (Altitude), temos que ter atitudes. Pensem nisso!!!
Shalom!
Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote.
Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.
Ao descobrir que era ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
- Há ratoeira na casa, ratoeira na casa !!
A galinha:
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
Orato foi até o porco e:
- Há ratoeira na casa, ratoeira !
- Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. será lembrado nas minhas orações.
O rato dirigiu-se à vaca e:
- Há ratoeira na casa!
- O que? Ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira.
Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não percebeu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital.
Ela voltou com febre.
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo.
Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.
Moral da História:
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Cuidado com os burros motivados
Cuidado com os burros motivados
A “Revista ISTOÉ” publicou uma entrevista com Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.
vamos a ela:
vamos a ela:
Roberto Shinyashiki--Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe.
O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura.
Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados.
Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa.
Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe.
O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes.
Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros.
São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.
ISTOÉ --O SR. CITARIA EXEMPLOS?
Shinyashiki--Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos,empregado em uma farmácia Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem.
Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito "100% Jardim Irene".
É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes.
O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana.
Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata?
Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.
ISTOÉ--Qual o resultado disso?
Shinyashiki--Paranóia e depressão cada vez mais precoces.
Os pais querem preparar os filhos para o futuro e mete os filhos em aulas de inglês, informática, judô, balé, natação, ginástica e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece.
A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança, aprender com seus erros.
Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos paisestão roubando a infância dos filhos
Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas.
Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.
ISTOÉ-Por quê?
Shinyashiki -- O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento.
É contratado o sujeito com mais marketing pessoal.
As corporações valorizam mais a auto-estima do que a Competência.
Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras.
Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa.
Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas.
Contratei-a na hora.
Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.
Há um script estabelecido?
Shinyashiki --Sim.
Quer ver uma pergunta estúpida feita por um Presidente de multinacional no programa O aprendiz ?
"Qual é seu defeito?"
Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: "Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar".
É exatamente o que o Chefe quer escutar.
Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido?
É contratado quem é bom em conversar, em fingir.
Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.
O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse: " Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir".
Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor.
ISTOÉ --Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
Shinyashiki-- Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento.
Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência.
CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS.
Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado.
Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado.
Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia.
O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.
ISTOÉ --Está sobrando auto-estima?
Shinyashiki --Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso do reconhecimento dos outros, minha auto-estima está baixa.
Antes, o ter conseguia substituir o ser.
O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom.
Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer.
As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam.
E poucos são humildes para confessar que não sabem.
Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.
ISTOÉ --Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
Shinyashiki -- Isso vem do vazio que sentimos.
A gente continua valorizando os heróis.
Quem vai salvar o Brasil? O Lula.
Quem vai salvar o time? O técnico.
Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta.
O problema é que eles não vão salvar nada!
Tive um professor de filosofia que dizia: "Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham".
Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo.
A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.
ISTOÉ --O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
Shinyashiki-- Exatamente.
A gente não é super-herói nem superfracassado.
A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza.
Não há nada de errado nisso.
Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram.
A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.
Shinyashiki-- Exatamente.
A gente não é super-herói nem superfracassado.
A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza.
Não há nada de errado nisso.
Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram.
A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.
Shinyashiki-- Tenho minhas angústias e inseguranças.
Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente.
Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos).
Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse.
Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros.
Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou:
"Quem decidiu publicar esse livro?"
Eu respondi que tinha sido eu.
O erro foi meu. Não preciso mentir.
ISTOÉ -Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
Shinyashiki--O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las.
São três fraquezas.
A primeira é precisar de aplauso,
a segunda é precisar se sentir amada e
a terceira é buscar segurança.
Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno.
Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards.
Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates.
O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.
Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?
Shinyashiki -- A sociedade quer definir o que é certo.
São TRES loucuras da sociedade.
A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.
A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias.
A terceira é: Você tem que comprar tudo o que desejar nem que seja para mostrar ao seu vizinho. O resultado é esse consumismo absurdo.
Não há um caminho único para se fazer as coisas.
As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.
Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito.
Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento.
Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema.
Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz". Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada.
Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado . À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Marina Colasanti
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.
Por: Pierre Schurmann
Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoria das pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida.
Depois de uma almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios. Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele: "Pois é. Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia". Sua resposta, rápida e afiada, foi: "Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele".
Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha supresa, pois me disse: "Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você". Segue mais ou menos o que consegui lembrar da conversa:
"Pierre, existe um ditado popular antigo que diz que temos de "matar um leão por dia". E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão. A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase.
Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão. Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?
Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado! A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente. Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar o Paulo, que hoje é nosso diretor geral.
Este "fracasso" me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão? Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão". Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história?
Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse: "É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci de dar um leão para cada, que era o mais importante. Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser.
Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão, em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele."
Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades. Para crescer, ser mais forte, e "me virar" nesta selva em que vivemos.
terça-feira, 29 de março de 2011
Abaixo Assinado Solicitando ao Orkut que seja revista os procedimentos de exclusão de perfis.
Nós, os usuários do Orkut, ao longo do tempo vamos fazendo amigos reais, mesmo que distantes, intensificamos nossas relações interpessoais com amigos próximos ou não, trocamos ideias, experiências, sentimentos, e tudo mais que uma rede social oferece.
Na verdade, nosso perfil do Orkut passa a ser um LUGAR DE MEMÓRIAS, através de nossos álbuns de fotos, nossos recados e mensagens, nossas participações em comunidades, nossas canções favoritas, enfim, uma série de coisas muito preciosas pra quem vai aos poucos construindo seu perfil do Orkut - e leva tempo - cria-se vínculos, amigos, HISTÓRIA!
E de repente tudo vai assim, num “clic”.... quando os perfis são excluídos pelo Orkut de forma sumária e sem chance de defesa e sem nenhuma justificativa ou explicação que indique – ao menos – o que estava errado. E isso é um fato recorrente e conhecido de todos.
Por outro lado, a presunção de inocência e o direito de defesa é uma das mais importantes garantias constitucionais. Diz o texto da Constituição Brasileira de 1988 em seu artigo 5.°, inciso LVII: "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória".
Há mais um reforço à presunção de inocência com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, no artigo XI: "Todo homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
Desta forma, o acusado de ato ilícito tem o direito de ser tratado com dignidade enquanto não se solidificam as acusações, já que se pode chegar a uma conclusão de que o mesmo é inocente.
Da presunção de inocência emergem outros 2 princípios fundamentais ao processo.
1 - Ampla Defesa - um direito do acusado, decorrente da presunção de inocência, e está expresso no artigo 5.°, inciso LV, da Constituição Federal traz o seguinte texto: "Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos e ela inerentes".
Considera-se meios inerentes à ampla defesa:
a) ter conhecimento claro da imputação;
b) poder apresentar alegações contra a acusação;
c) poder acompanhar a prova produzida e fazer contra-prova;
d) ter defesa técnica por advogado, cuja função, aliás, agora, é essencial à Administração da Justiça; e
e) poder recorrer da decisão desfavorável".
2 - O direito à prova - nada mais óbvio que a acusação ter que provar o fato que imputa ao acusado, pois seu statu quo é a ausência de culpabilidade.
De qualquer forma, se um perfil é excluído, e se essa exclusão – conforme sempre alegam os representantes do Orkut - é por uma causa ilícita ou delituosa, está sendo imputado à essa pessoa um crime, e não sendo esse crime julgado de forma clara e com todos os direitos acima citados, essa exclusão pode ser configura como ato de difamação, perjúrio e danos morais.
Devemos lembrar também que já existe jurisprudência quanto a isso, e citando apenas um único caso como exemplo, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal em 10 de dezembro de 2010 em julgamento unânime, a 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do TJDFT deu provimento ao recurso interposto pelo Google para manter a exclusão de um usuário do site de relacionamento Orkut.
Ele teve seu perfil excluído, segundo o Google, por violar termos do contrato de prestação de serviço. Em primeira instância, o Google foi condenado a indenizar o autor em R$ 2,5 mil pela exclusão do perfil, além de ter que restabelecer o acesso à conta no Orkut.
Decisão essa que vem a corroborar com tudo acima escrito.
É isso que nós – os Usuários do Orkut – desejamos, merecemos e esperamos por parte do Google e Orkut. Afinal, se para alguns um perfil virtual não tem valor algum, para outros o perfil tem um valor inestimável, muito mais do que um "COMPUTADOR" possa imaginar!!!!.
Somente com a adesão de todos poderemos preservar nossos perfis ...
Assina o abaixo-assinado aqui http://www.peticaopublica.com.br/?pi=RCandeu
e continue ajudando divulgando para seus contatos.
Obrigado.
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