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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Um Arco-Iris na Noite

Esse é o título do livro de Dominique Lapierre que relata o apartheid na África do Sul, desde a chegada dos holandeses calvinistas em 1652 até os episódios finais...

e desde livro eu vou postar aqui uma sequência de imagens que contam resumidamente essa história...


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BREVE AMOSTRA DAS 1 . 7 0 0 LEIS E DISPOSIÇÕES INSTAURADAS PELOS
LEGISLADORES DO APARTHEID PARA GARANTIR A SEPARAÇÃO RACIAL ENTRE OS
BRANCOS E OS CIDADÃOS NEGROS E MESTIÇOS QUE VIVIAM NA ÁFRICA DO SUL

I. Intuito de estabelecer uma separação racial total entre brancos
e negros
1. É ilegal para uma pessoa branca e uma pessoa não branca sentarem-se
juntas em um salão de chá, a menos que tenham obtido uma permissão
especial.

2. Exceto se obtida uma permissão especial, um professor africano comete
um delito criminal se for dar uma palestra a convite de um clube branco.

3. Toda pessoa não branca que se sente em um parque público em um banco
exclusivamente reservado às pessoas de raça branca comete uma
infração criminal punível com uma pena de três anos de prisão e a
administração de dez chicotadas.

4. Todo africano que se apresente no balcão de uma agência dos correios
exclusivamente reservado aos brancos comete uma infração criminal punível
com uma pena de cinco anos de prisão e a administração de dez chicotadas.

5. Todo africano que quiser se sentar na única sala de espera de uma estação, que estará necessariamente reservada pelo chefe de estação para os viajantes brancos, expõe-se a uma multa de 150 rands1 e a uma pena de três meses de prisão.
Cem rands correspondem a cerca de sete euros.


II. Intuito de humilhar, de todas as maneiras possíveis, a população
negra da África do Sul

1. Nenhum africano tem o direito de adquirir uma parcela de terra em todo o território sul-africano.

2. É proibido a qualquer africano detentor de uma permissão legal para residir em uma cidade acolher em seu domicílio sua mulher e seus filhos.

3. Um africano que tenha nascido em uma cidade onde tenha passado catorze anos consecutivos de sua vida e onde tenha trabalhado sem interrupção para o mesmo empregador durante sete anos não pode receber em seu domicílio sua mulher, sua filha não casada e seu filho maior de dezoito anos por um período superior a 72 horas.

4. Um africano que resida sem interrupção na cidade onde nasceu não tem direito de alojar em seu domicílio uma filha casada, um filho maior de dezoito anos, uma sobrinha, um sobrinho ou um neto.

5. 0 direito de fazer greve é proibido aos trabalhadores africanos
Quem descumprir a ordem se expõe a três anos de prisão e a uma multa de 5 mil rands.



III. Intuito de instituir um estado policial dotado de todos os poderes
sobre a comunidade negra

1 As forças de polícia têm direito de entrar, a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer casa, para se assegurar de que não se encontra a nenhuma pessoa não branca.

2. As autoridades podem proibir a presença de qualquer convidado africano a uma festa privada celebrada no domicílio de um particular de raça branca se julgarem que sua presença é indesejável por razões que
não têm de justificar.

3. Todo oficial de polícia pode interpelar, a qualquer momento, qualquer africano maior de dezesseis anos para exigir que mostre seu passaporte interno.

4. Todo representante da autoridade pode entrar na casa de um africano para fazer uma revista pela razão que for e a qualquer hora do dia ou da noite.

5. Todo policial, provido ou não de mandado de busca, pode entrar na casa de um africano, a qualquer hora razoável do dia ou da noite, se suspeitar que abriga um africano maior de dezoito anos culpado de residir com seu pai sem ter obtido autorização para isso.

6. Caso constate um atentado à ordem pública, a autoridade local pode ordenar a qualquer oficial de polícia proceder à detenção e prisão sem julgamento de qualquer africano.


IV. Intuito de estender as proibições a todas as esferas da vida, incluindo as igrejas, as escolas e os hospitais
1 O Ministério de Assuntos Indígenas pode, a pedido da autoridade urbana local, limitar o número de fiéis africanos autorizados a assistir ao serviço religioso de qualquer igreja.

2. Todo hospital que receba um paciente africano sem ter obtido a autorização do Ministério de Assuntos Indígenas comete uma infração criminal.

3. 0 Ministério de Assuntos Indígenas pode decidir fechar qualquer escola dirigida por uma comunidade ou uma tribo africana sem ter de justificar sua decisão.


V. Intuito de controlar a integridade racial da população
1. Vinte e cinco anos depois de o Estado a ter registrado como de raça branca, qualquer pessoa pode ter sua classificação de branco questionada por um terceiro. Só a Comissão de Classificação Racial pode, em caso de litígio, estabelecer em última instância a raça da pessoa objeto da contestação.


VI. Intuito de incluir os brancos nas proibições do apartheid
1. Toda pessoa branca residente em uma cidade que empregue um africano na qualidade de pedreiro, marceneiro, eletricista ou qualquer outro ofício qualificado sem ter obtido uma autorização do Ministério do Trabalho comete uma infração criminal punível com uma multa de 500 rands e pena de um ano de prisão.


VII. Intuito de impedir, a todo custo, a mistura de sangue entre as
raças branca e negra

1. Um homem não casado que, por evidência, por opinião geral ou por reputação, seja uma pessoa de raça branca, e que tente manter relações carnais com uma mulher que não seja, por evidência, por opinião geral ou por reputação, uma pessoa de raça branca, é culpado de uma infração punível com uma pena de sete anos de trabalhos forçados. A menos que possa provar, de modo satisfatório para a corte, que tinha uma razão válida para acreditar, quando foi cometida a infração em causa, que sua parceira era — por evidência, por opinião geral ou por reputação — uma pessoa branca.

Excertos traduzidos, pelo autor, do panfleto This is Apartheid, de Leslie
Rubin, Londres, Gollancz, 1959.

retirado do Livro de Dominique Lapierre - Um Arco-Iris na Noite
Editora Planeta

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Uma Brasileira conta sua história

UMA BRASILEIRA DIGNA DO MÉRITO DESSA NACIONALIDADE.
AH, SE TODOS FOSSEM IGUAIS A SENHORA DONA DIRCE PEREIRA DA SILVA, QUE MARAVILHA VIVER.

Carta enviada ao dep. Jean Wyllys.

Excelentíssimo Sr. Deputado Dr. Jean Wyllys de Matos Santos,


Meu nome é Dirce Pereira da Silva e, atualmente, conto com 77 (setenta e
sete) anos de idade, caminhando para o 78º aniversário. Tal como Vossa
Excelência, tive uma trajetória difícil e cansativa na busca por meus
direitos civis.

Sou negra, filha de um servente de pedreiro e uma lavadeira. Meu avô paterno era escravo alforriado. Nasci e cresci em meio à miséria no interior do Estado de São Paulo, valendo-me de farinha e verduras que minha mãe encontrava no caminho para alimentar-me. Graças a ela, que sempre foi analfabeta, convencemos meu
pai a mudar-se para a pequena cidade de Penápolis-SP, a fim de que eu pudesse estudar as primeiras séries e o ginasial (denominação dada à época). Os materiais eram todos muito caros e, por isso, desde meus oito anos de idade trabalhava como lavadeira em conjunto com minha mãe para aumentarmos nossos rendimentos. Papai fez muitas dívidas nessa época também para que eu pudesse estudar.

Quando chegou o momento de optar, escolhi cursar a Escola Normal, já que não havia Faculdades por perto e nem haveria condições de manter-me fora. Formei-me normalista em dezembro de 1954, para orgulho de meus pais.

O caminho, Excelência, não foi fácil. Minhas colegas de Escola podiam ir às matinês ou às festas em que iam as pessoas de minha idade, mas eu era barrada
na porta por ser negra. Sempre minha presença foi proibida nos locais
destinados às pessoas brancas. Isto não impediu que eu conhecesse um
rapaz branco, hoje já falecido, que se apaixonasse por mim e fosse
correspondido. Ele pediu minha mão em casamento a meu pai, como era
próprio da época. Meu pai aceitou, mas alertou a mim, ainda muito jovem,
sobre a possível rejeição por parte da família dele. Infelizmente,
papai estava certo: os pais dele (em especial a mãe) rejeitou-me, e me
chamou de crioula safada, dentre outros adjetivos. Esse amor nunca teve
um beijo ou outra coisa qualquer além de belíssimas declarações, mas foi
forte o suficiente para permanecer intacto em minha memória nestes
quase sessenta anos. Até hoje, quando visito seu túmulo, penso em tudo o
que poderíamos ser e não fomos.

Tornei-me professora em 1955,  aposentando-me apenas no ano de 2004, às vésperas de completar 70 anos  de idade. Fui homenageada pelo Governo do Estado de São Paulo como a  professora que por mais tempo permaneceu em sala de aula: sem faltas, sem licenças, sem atrasos, sem nada. No mesmo ano em que comecei a lecionar, “adotei” uma menina, filha extemporânea de meus vizinhos sexagenários, que era branca e de olhos claros como Arthur, o homem por quem me apaixonei. Ela cresceu, tornou-se também professora e me deu
dois netos e um bisneto, razões maiores da minha vida. Ela e meus netos
foram, também, fonte de inúmeras alegrias a meus pais, falecidos no
final da década de 90.

Com esta pequena história, Excelência, desejo ilustrar minha passagem pelo mundo – ciente de que tenho muito mais passado que futuro – para agradecer-lhe e parabenizar seu trabalho.

Na década de 1.950 discriminar uma pessoa negra era algo natural, tolerável e correto. Sobre homossexuais, melhor nem falar: eram considerados pervertidos, doentes, e nem mesmo estes falsos profetas lhes prometiam a chamada “cura”.

Vejo com tristeza que a discriminação em relação aos negros persiste em existir, mesmo que às escondidas, e homossexuais são espancados, tratados com barbárie ou vítimas de discursos de intolerância e preconceito, tristemente
retratados na figura (em igual) triste do Exmo. Sr. Deputado Jair Bolsonaro.

Eu fui vítima de inúmeros preconceitos na vida, Excelência. Não pude frequentar locais por conta de minha cor; depois, ingressei numa profissão de elite – o magistério – sendo mulher, negra e pobre. Fui humilhada por anos e confinada em escolas de zona rural, até que um dia, talvez por distração, consegui minha transferência para a escola central da cidade, tornando-me professora da elite de Penápolis.


Minha filha adotiva foi uma das primeiras mulheres a se divorciar na cidade, e por conta disso era chamada de indecente, imoral ou coisas piores. Perdeu seu emprego por conta disso e meu neto mais velho teve sua matrícula recusada em uma Escola pública, justamente por ser filho de uma mãe divorciada. Hoje ele é Professor concursado na Universidade Federal de Uberlândia. O destino às vezes dá voltas.


Quando vejo o preconceito em relação às pessoas de orientação homossexual,
sinto-me de novo em 1954 e nos anos anteriores. Eles não têm o direito
de amar, como eu não tive. Eles não têm o direito de se casar, como eu
também não tive. São considerados pessoas anormais e pervertidas, da
mesma forma como fui chamada de “crioula safada”: são rotulados sem que
ninguém os conheça, e eu sei qual o tamanho desta dor. Para minha sorte,
tive pais analfabetos e pobres, mas maravilhosos. E os homossexuais,
que muitas vezes têm de enfrentar o preconceito dentro da própria
família, para além daquele que existe na sociedade?


 Quem lhe fala, Excelência, é uma mulher que tem idade para ser sua avó. Meu
desejo, a essa altura da vida – já são quase 80 anos – é que pessoas
como Vossa Excelência persistam em lutar contra o preconceito e qualquer
forma de discriminação e opressão neste país. Como ninguém me
sentenciou à morte ainda tenho o direito de sonhar, e meu sonho é o de
ver uma sociedade verdadeiramente livre, em que cada um possa expressar
livremente sua cultura, seu jeito, seus traços africanos ou seu amor,
seja ele de qual orientação for. Envio meu apoio ao Projeto de Emenda
Constitucional para a viabilidade do casamento de pessoas do mesmo sexo,
a fim de que elas tenham o direito que me foi negado: casar-me com quem
eu amava e que também me amava em virtude do preconceito de terceiros!

Para a verdadeira democracia, prossiga na sua luta pelas pessoas deste país, meu jovem Deputado.

Com admiração,

Dirce Pereira da Silva

 
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-historia-da-%E2%80%9Ccrioula-safada%E2%80%9D/

 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Religião na escola estimula o preconceito e a intolerância

http://pragmatismopolitico.blogspot.com/2010/07/religiao-na-escola-estimula-o.html

segunda-feira, 19 de julho de 2010

 

A professora Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB) liderou uma pesquisa que apurou que livros didáticos mais aceitos pelas escolas públicas promovem a homofobia e pregam o cristianismo. O estudo gerou o livro Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil.

A pesquisa conclui que o preconceito e a intolerância religiosa são inculcados em milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. Foram analisados os 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país. Os livros foram escolhidos a partir dos títulos mais aceitos pelas escolas do governo federal, segundo informações do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso – limitada a uma referência anônima e sem biografia –, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo (Calvino nem mesmo é citado).

“O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações”, informa uma das autoras do trabalho, a antropóloga e professora do Departamento de Serviço Social, Débora Diniz.

A psicóloga e coautora do livro, Tatiana Lionço, salienta que, antes de ir parar nas mochilas de crianças e jovens, todo material didático passa por uma avaliação de uma banca de profissionais do Programa Nacional do Livro Didático, vinculado ao Ministério da Educação. Todos, menos os de Religião. “Não há qualquer tipo de controle. O resultado é a má formação dos alunos”, comenta.

Ela questiona o modelo de ensino religioso nas escolas do país com base no princípio constitucional de que o Estado deveria ser laico (neutro em relação às religiões). “Se o Estado deveria ser laico, por que ensinar religião nas escolas? Se a religião for tratada na sala de aula, tem de ser de forma responsável e diversificada”, acrescenta.

A discriminação de homossexuais vem junto com a doutrinação religiosa feita às cutas do Estado, em escolas públicas. “Desvio moral”, “doença física ou psicológica”, “conflitos profundos” e “o homossexualismo não se revela natural” são algumas das expressões usadas para tratar das pessoas que optam por ligações com o mesmo sexo. Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: “Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?”.

Débora diz que num dos livros didáticos uma pessoa sem religião é associada ao nazismo (que, contraditoriamente, teve apoio ativo da Igreja Católica e foi combatido pela União Soviética, primeiro Estado a adotar expressamente o materialismo dialético no ensino público). “É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores”, observa. “Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo”, completa ela que é uma das três autoras da pesquisa.

“Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã”, afirma Débora. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. “Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasilieras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos”, comenta.

O estudo, realizado entre março e julho de 2009, revela a ligação entre as editoras responsáveis pelas publicações e a doutrinação religiosa. A editora FTD, por exemplo, pertence aos irmãos Maristas, sociedade católica criada em 1817, na França. Também são católicas as editoras Vozes, Paulus Paulinas, Vida e Edições Loyola. “É esse contexto nebuloso de relações e interesses que envolve a pesquisa” diz Débora. Outras das principais editoras do material escolar são a Abril de Educação, líder do mercado, a Ártica, Scipione Saraiva, Moderna e Dimensão.

As 112 páginas da publicação, lançada pelas editoras UnB e Letras Livres, ainda conta com a contribuição da assistente social Vanessa Carrião, do instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero. 

Por Carlos Pompe

 

 

 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Cristianismo e a Escravidão

Recentemente declarações do pastor Feliciano causou polêmicas
uns acusando
outros dizendo que nunca o Cristianismo foi a favor de tais idéias...

será mesmo?



“O abolicionismo é uma odiosa pestilência infiel.”
Bispo Stephen Elliott, da Geórgia, co-autor da carta pastoral do Concílio Geral da Igreja Protestante Anglicana Confederada, 01 de Novembro de 1862



“A cruzada fanática, ímpia e ateísta contra a Palavra de Deus e […] as instituições vitais do Sul.”
Rev. Thomas Smyth, ministro da Segunda Igreja Presbiteriana, Charleston, SC, louvando a derrota do Forte Sumter em 1861 e defendendo a escravidão; em outro trecho, ele chamou a Declaração da Independência de documento ateu que encorajava o abolicionismo ateísta.



“Nós defendemos nesta grande luta a causa de Deus e da religião.
O abolicionismo é inegavelmente ateu. […]
O ateísmo, que não conhece um Deus que tolera o mal, nenhuma Bíblia que lhe dê as leis, e nem uma consciência que possa ser limitada por juramentos e acordos, nos escolheu como vítimas e a escravidão como seu assunto. Já podemos ouvir seus gritos de guerra: ‘liberdade, igualdade, fraternidade’”
Rev. Benjamin Morgan Palmer, 29 de Novembro de 1860, sermão em New Orleans, La



“Não há nada na Bíblia proibindo a escravidão, apenas a organizando. Podemos concluir que ela não é imoral.”
Reverendo Alexander Campbell



“É melhor ser escravo no Brasil e salvar sua alma que viver livre na África e perdê-la.”
Sermão do Padre Antônio Vieira aos escravos


“Pessoas que rejeitam a escravidão obviamente rejeitam Deus e sua palavra, porque rejeitam o que Deus diz e preferem escutar o que dizem simples humanos sobre a escravidão. Este pensamento humanístico era típico dos abolicionistas.”
Senador Charles Davidson, do estado do Alabama,
mostrando que a Bíblia defende a escravidão — 1996



“O direito a ter escravos está claramente estabelecido nas Escrituras Sagradas, tanto por preceito como pelo exemplo.”
Reverendo R. Furman, D.D., batista, da Carolina do Sul/EUA



“A Bíblia inteira foi escrita por donos de escravos, para donos de escravos. Não há nenhuma crítica à escravidão em nenhum lugar dela. Jesus também não objetou contra maltratarem-se escravos. Ele até indicou que a venda de devedores como escravos continuaria no seu Reino dos Céus, assim como o direito dos donos de espancá-los e torturá-los (Mateus 18:23–35)”
Merrill Holste, “Slavery and the Bible”, artigo de maio/1986 na “American Atheist Magazine”




“A causa primordial da escravidão é o pecado… Esta servidão, expiação do pecado, encontra seu lugar pela lei que manda preservar a ordem natural e proíbe perturbá-la…
Por isso, o Apóstolo recomenda que os escravos se submetam a seus senhores.”
Santo Agostinho, “Cidade de Deus” XIX, 15




“As Escrituras, no Velho e no Novo Testamento, me garantem que eu posso manter escravos em cativeiro.”
Reverendo Thomas Witherspoon, presbiteriano, do Alabama



“Por volta de 1846, em torno de 1.200 ministros metodistas e todos os bispos metodistas episcopais no sul americano possuíam escravos. Com a guerra civil, várias denominações se cindiram em “Igreja do Norte” e “Igreja do Sul” devido à resistência dos sulistas a rejeitar a escravidão.”
Adaptado de Forrest G. Woods, “The Arrogance of Faith: Christianity and Race in America from the Colonia Era to the Twentieth Century.”

João Crisóstomo, bispo de Alexandria (398–403) citou Tito 2:9–10
para justificar a escravidão:
“O escravo deve se sujeitar a sua sorte;
obedecendo a seu dono, ele obedece a Deus.”

o padre ANTONIO VIEIRA. , em seus sermões afirma:
"QUE A AFRICA É O INFERNO DONDE DEUS SE DIGNA RETIRAR OS CONDENADOS
PARA , PELO PURGATÓRIO DA ESCRAVIDÃO NAS AMÉRICAS
FINALMENTE ALCANÇAREM O PARAÍSO".

quarta-feira, 30 de março de 2011

Moção de repúdio a Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro é uma vergonha brasileira e não cansa de abrir a boca para emporcalhar nossa sociedade com o que há de mais repugnante.

No programa ao CQC, da Band, novamente o desnobre deputado ofendeu a nação.

 


O presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, vai pedir  a abertura de processo de cassação contra Jair Bolsonaro. Damous afirma que Bolsonaro teve conduta homofóbica e racista em uma entrevista que foi ao ar ontem à noite no programa CQC....

Três representações contra o ignóbil foram assinadas por parlamentares, destinando-se ao Conselho Nacional de Defesa da Pessoa Humana, à Procuradoria Geral da República e ao Presidente da Câmara dos Deputados.

http://www.tijolaco.com/a-representacao-contra-bolsonaro/02:15

Reproduzo texto de Jean Willis no Twitter: "Ele ofendeu, por anos, homossexuais e mulheres e nada foi feito. Mas agora ofendeu os negros e, por isso, algo pode ser feito agora."

Façamos algo! Agora!

Petição para cassação de Bolsonaro:
http://www.change.org/petitions/petio-para-cassao-do-mandato-do-deputado-federal-jair-bolsonaro-pp-rj

Mais petição...
.
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N8333


assinem ....

é uma questão de cidadania

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Uma história épica: Irmãs negras


18/11/2009
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http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27619
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Leonardo Boff, teólogo, comenta o livro Tecendo memorias, gestando o futuro: história das Irmãs Negras e Indígenas das Missionárias de Jesus Crucificado”(Paulinas 2009), de autoria de José Oscar Beozzo, historiador.

Eis o artigo:

A Casa Grande e a Senzala não foram apenas construções sociais e físicas, dividindo por um lado os brancos, donos do poder e por outro, os negros, feitos escravos.

Com a abolição da escravatura exteriormente desapareceram.
Mas continuam presentes na mentalidade dos brancos e das elites brasileiras.

As hierarquizações, as desigualdades sociais e os preconceitos têm nesta estrutura dualista sua origem e permanente realimentação.

A vida religiosa que se insere neste caldo cultural reproduziu em suas relações internas o mesmo dualismo e as mesmas discriminações.

Durante todo o tempo da Colônia os que possuíam “sangue sujo”, quer dizer, os que eram negros, indígenas ou mestiços, não podiam ser padres nem religiosos.

Além de puro racismo, típico da época, argumentava-se que eles jamais conseguiriam viver a castidade.

Esta discriminação foi internalizada nestas populações desumanizadas a ponto de sequer pensarem em ser padres, religiosos ou religiosas.


As consequências perduram até os dias de hoje: a crônica falta de clero autóctone no Brasil. Pelo número de católicos, deveríamos ter pelo menos cem mil padres. Possuímos apenas 17 mil e muitos são ainda são estrangeiros.
 
Mesmo com a revitalização da Igreja brasileira através do processo de romanização inaugurada no final do século XIX com a vinda de congregações religiosas européias, as pessoas negras ou mestiças continuaram sistematicamente excluidas.

Mas houve uma ruptura inauguradora.
Em 1928 a Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado, fundação genuinamente brasileira, de uma leiga piedosa Maria Villac, apoiada pelo bispo Dom Campos Barreto de Campinas, foi a primeira a abrir a porta de seus conventos a mulheres negras.

Mesmo assim, não escapou da influência da Casa Grande e da Senzala mental: houve a divisão clara entre
as oblatas, irmãs negras ou de pouca instrução e
as coristas, brancas e com instrução.

Até o hábito era diferente, azul e branco para as coristas e preto para a oblatas.

A missão destas que constituíam quase a metade da Congregação, era de servir às coristas, acompanhar seus trabalhos e assumir todas as tarefas domésticas de um convento, desde cozinhar, lavar a roupa até manter a horta e cuidar da criação de animais.

Por quarenta anos foi assim, até que se abriu a janela do aggiornamento do Concílio Vaticano II (1962-1965). Aboliram-se as divisões de tarefas, umas nos trabalhos manuais e outras na vida apostólica. Como comentou Dom Odilon, bispo de Santos:”acabou-se a escravidão na Congregação”.

Esta história foi recentemente pesquisada e escrita pelas próprias religiosas negras sob a orientação segura do historiador Pe. José Oscar Beozzo com o título:


”Tecendo memorias, gestando o futuro:

história das Irmãs Negras e Indígenas das Missionárias de Jesus Crucificado”

(Paulinas 2009).
 
 
Qual é a originalidade deste livro?

É mostrar o lento despertar da consciência das irmãs negras, de sua identidade étnica, de seus valores específicos e de sua espiritualidade singular, feito de histórias de vida narradas por irmãs negras, histórias de chorar, tal o nivel de discriminação e de humilhação.

Mas o que transparece não é amargura ou espírito de revanche.

Ao contrário, é o de resgate da memória de tudo o que se aprendeu nessa penosa caminhada e do lançamento das bases para um futuro mais igualitário e respeitador das diferenças.

Elas mostram que a identidade negra não precisa ser trágica, mas foi e pode ser épica: feita de uma sábia resistência e de um desabrochar lento mas seguro de seu próprio caminho de libertação.

As religiosas negras emergem como verdadeiras heroinas e muitas delas com sinais inequívocos de santidade.

Assim se supera uma visão miserabilista dos negros e negras e se realça sua inventividade, sua capacidade de ter alegria interior que se revela no riso e na festa, na música e na dança.

Esse livro vem preencher uma lacuna na historiografia negra na ótica da vida religiosa. Ele suscita admiração mais que compaixão, vontade de conquista mais do que resignação. Sua leitura nos edifica e nos faz humanamente mais solidários.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Apartheid - a vergonha do século XX

bem...

estou lendo um livro sobre o apartheid na África do Sul

Um Arco-Íris na Noite - a Heróica Epopéia de uma nação marcada por um pesadelo chamado apartheid de Dominique Lapierre - Editora Planete

é tão revoltante

e, ao mesmo tempo, me parece que é um assunto pouco discutido

ou pouco lembrado

Muito se fala do Holocausto dos judeus
talvez pelo fato dos judeus terem tido mais "voz" do que os negros?

Será que o sofrimentos dos negros
foi mais irrelevante do que dos judeus?

Será que os negros sofreram menos que os judeus?

vou postar uns vídeos
apenas para ilustrar o assunto...

pois
o apartheid não aconteceu apenas na África do Sul...




.

.
.
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e fica aqui meu total repúdio à essa cultura racista e excludente...
que influencia até mesmo os negros... que passam então a ter uma auto imagem disforme...



Os psicólogos americanos Mamie e Kenneth Clark fizeram esse teste acerca das raças em 1947.

Recentemente foi feita uma nova pesquisa nos EUA e o resultado não mudou muito.

e deixo ainda uma postagem do Multi lá na Barca:

Já acho que o homem por ser homem discrimina, que é da nossa condição evolutiva primitiva atual.


Como nossa espécie é gregária ela evoluiu em bandos, primeiro pequenos grupos familiares, e para o grupo sobreviver ele se ajuda, mas tudo o que é diferente a morfologia, costumes, etc. dos seres do grupo, ou é comida, ou perigo.


Assim quando um grupo de homens encontrava outro, disputava comida e área, assim os que eram ligeiramente diferentes, no modo de vestir ou de “falar” eram considerados perigo.


Esse comportamento nos acompanha até hoje.


Por isso que as pessoas mais instintivas e menos evoluídas, (não falo de cultura, mas de evolução do ser como um todo), tendem segregar mais os diferentes, pois ainda seu instinto primitivo as governa.


Quanto mais evoluída é uma pessoa, mais ela consegue ver através das aparências, e ela percebe que todos realmente são iguais, e evoluindo mais ainda o ser percebe que não só é igual aos outros seres da mesma espécie, mas igual a tudo o que existe, continuando a evoluir, o ser verá que tudo o que existe está conectado de uma forma muito mais intensa e profunda do que a nossa espécie na atual condição evolutiva consegue conceber.
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